Pai
Queria escrever-te, mas não há muito a dizer que tu já não saibas. Lês-me através dos olhos. Há em ti uma compreensão tranquila, como se o que eu vivo não te fosse estranho, como se já lá tivesses estado antes. E eu acredito que sim.
Há uma forma dele de perceber sem que eu diga, de estar sem que se imponha. Como se houvesse entre nós qualquer coisa que não precisa de palavras.
Nem toda a gente tem essa sorte. Ter um pai que fica, que nos conhece assim, por dentro. Se todos tivessem um pai como o meu, talvez houvesse menos conflitos, menos ruído.
Continua a ensinar-me, eu continuarei a aprender.


